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A Saúde Mental da Mulher: uma questão além do gênero



Dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher.


Dia emblemático para abordarmos a saúde mental com esse recorte necessário.

Hora de arregaçar as mangas e abraçar a causa da saúde mental da mulher.

Tema tão falado nesse 2020 turbulento e, em 2021, é chegada a hora de nomeá-lo de fato.


Uma enxurrada de notícias constatando que durante a pandemia a mulher foi mais afetada. Acúmulo de papéis, de trabalho, família, empregos formais e informais não sustentáveis.


E por que a questão de gênero? E o que isso quer dizer? A OMS define gênero como “a diferença, que homens e mulheres têm sobre o poder e controle das determinantes sócio-econômicas em suas vidas, posição social e forma de tratamento na sociedade”. Ou seja, dado o olhar diferente que a sociedade dá ao homem e à mulher, são também diferentes, as suscetibilidades e exposições a riscos específicos de cada um no contexto da saúde mental, por conta de diferentes processos biológicos, relações sociais e papeis de gênero. Como se não bastasse, o viés de diagnóstico dado a cada um deles também é tendencioso.


Alguns dados que evidenciam isso, são os de que a depressão, um dos transtornos mentais mais comuns da nossa sociedade, afeta 2 vezes mais a mulher do que o homem.


As tentativas de suicídio, por sua vez, são 2.2x mais frequentes nas mulheres. E quando se trata de papeis sociais, tem-se que 1 a cada 5 mulheres apresentam transtornos mentais comuns (TMC) ao passo que esse número é de 1 a cada 2 mulheres para aquelas com alta sobrecarga doméstica.


Isso sem mencionar as inúmeras sequelas na saúde mental causadas às vítimas de violência, seja psicológica, física, sexual ou institucional, resultado de práticas sociais que não tratam os genêros com um olhar de equidade.


Estes dados nos revelam que um olhar diferenciado para a saúde mental da mulher se faz necessário para além do foco em quadros de origem biológica como a gestação, aborto, puerpério e menopausa.


Infelizmente lidamos com uma subnotificação dos casos no país. Ainda mais se pensarmos no contexto psicossocial atual. No que tange à saúde mental, a efetividade do tratamento individual, terapêutico e/ou medicamentoso, institucional ou não, deve ser pautado no contexto social no qual a mulher está inserida, o papel de gênero que ela desempenha e o quanto a sociedade contribui à sua saúde.


É importante e urgente falarmos desse assunto. Não há transformação social sem as mulheres, que são verdadeiros vetores de mudança para a sociedade, como líderes dessa e das próximas gerações, educadoras (com 80% do contigente de professores da educação básica sendo mulheres), profissionais da saúde (representando 65% dos profissionais da saúde pública e privada), mães e figuras presentes em tantas outras esferas sociais.


É preciso nomear, definir, significar e discutir cada vez mais o assunto para que a saúde mental possa ser tratada como uma questão que permeia o nosso universo o tempo todo e não como uma condição à parte.


Por Livia Miranda, em colaboração com o Instituto Cactus