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O que podemos aprender com o BBB, a saída de Lucas e as discussões sobre abuso psicológico?


Fonte: Big Brother Brasil


Vamos aproveitar este momento do que aconteceu nos últimos dias no BBB 2021, com a saída de Lucas, para fazer um convite a uma reflexão: o que podemos aprender com este episódio e, mais especificamente, quando adotamos uma posição de não julgamento?


Uma observação dos sentimentos que afloram ao testemunhar episódios como os do BBB, e sua repercussão, e que incluem, muitas vezes, nossa rapidez em dar rótulos e achar respostas, vilões e culpados, são também uma grande oportunidade para olharmos para nós mesmos e desenvolvermos nossa auto-consciência.


A habilidade de conseguir parar e se observar é parte importante desse processo e aumenta nosso protagonismo para com a nossa própria saúde mental. Alguns passos para isso incluem a observação para entender e nomear que sentimentos surgiram, que emoções percebemos, e inclusive, onde tudo isso se manifesta no nosso corpo.


Algumas perguntas que podem ajudar a nos guiar nesse processo são: o que eu estou sentindo? Qual é a intensidade desse sentimento? Onde, no meu corpo, eu sinto isso se manifestar? Por que será que eu estou sentindo isso? Em que outros momentos eu me senti assim?


É extremamente importante podermos dar esse passo anterior, esse respiro, esse momento de pausa, como forma de cuidar da nossa própria saúde mental, de não julgarmos precipitadamente e corrermos o risco de eventualmente sermos agentes deste mesmo tipo de violência psicológica. Cada pessoa tem sua jornada de vida, dores, e escolhas, e é importante darmos a oportunidade de ouvir todos os lados, com profundidade, antes de nos posicionarmos sobre algum assunto.


O julgamento imediato também nos impede de aprendermos mais sobre nós e sobre os outros. A partir do momento em que julgamos já temos uma resposta pronta e, consequentemente, estamos mais fechados a ouvir o próximo e a nos darmos a chance de nos engrandecer com pontos de vista diferentes. Essa polarização também não é a melhor forma de combater o abuso psicológico, pois corremos o risco de segregar o outro e de perdermos a capacidade de escuta e de empatia.


É claro que, ao fim desse processo, poderemos ainda assim identificar ações e gestos que foram mais ou menos empáticos por parte dos outros e, inclusive, por nós mesmos. Podemos também ter a nossa opinião, e discordar de outras opiniões. O que importa mais é o processo que usamos para isso, ou seja, dando lugar para a escuta, a igualdade, e a empatia – para conosco e para com o próximo.

Uma frase que gostamos muito no Instituto Cactus é a do Viktor Frankl, que diz: “Entre o estímulo e a reação há um espaço. Neste espaço está nosso poder de escolher nossa resposta. Na nossa resposta está nosso crescimento e nossa liberdade.”


Aproveitando momentos como esses, em que muitas emoções e pensamentos surgem com grande senso de urgência de manifestação, é que nasce a oportunidade de fazermos uma pausa, nos observamos, e aprendermos a nos conhecer, e a olhar ao outro e a nós mesmos com mais empatia.