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Saúde mental é um trabalho coletivo


Imagem de Gert Altmann


Entendemos melhor o mundo em que vivemos quando o observamos. A partir da observação, acumulamos saberes. A organização dessa produção de conhecimentos é essencial para que possam ser compartilhados, para isso foram criados conceitos, regras e padrões. Estas definições existem também no campo da saúde, para vivermos de maneira mais ordenada e harmônica em comunidade.


A saúde mental é só um nicho do tema da saúde, porém é um campo extenso, complexo e muito recente na história da saúde pública. O interesse neste campo e as pesquisas na área se intensificaram após a Segunda Guerra Mundial, pois o conhecimento da época era insuficiente para suprir a demanda de saúde social tão crítica.


O momento pós-guerra foi marcante na mudança dos conceitos de saúde pública na esfera dos cuidados da mente, pois deixou de ser exclusivo da psiquiatria abrindo espaço para novas áreas de atuação (por exemplo a Filosofia, História e Antropologia). Desde então, a saúde mental está em evidência e vem se transformando. A partir da década de 1970, como um grande passo, a OMS passa a defender a saúde mental como elemento integrado nos cuidados primários de saúde.


Hoje três principais grupos de força dialogam e, a partir dos crescentes desafios que aparecem, iniciam debates e investigações. Para um assunto tão amplo e profundo, ainda há muito a ser discutido e descoberto. Lentamente estabelecemos novos paradigmas e rompemos com bases vistas como inadequadas ou incorretas.


Os principais grupos de forças atuantes são Ciência, Estado e Sociedade. Unidos, estudam e reestruturam a saúde mental.


> A ciência busca encontrar respostas e cria classificações e padrões sobre o comportamento humano. A partir do método científico, esse grupo trabalha em legitimar conhecimentos através de pesquisas.


> O estado tem como obrigação criar dispositivos de cuidado e ordem social, de promover melhorias nos programas e políticas públicas sociais de cuidado das pessoas.


> A Sociedade somos nós, indivíduos que usufruem dos sistemas de saúde, os objetos de estudo da ciência que estão aos cuidados do estado. Como pessoas compartilhamos das vivências e contribuímos também como avaliadores da atuação dos primeiros grupos.


Imagem de Natalia Ovcharenko


Juntos esses conjuntos produzem novos conhecimentos e constroem e desconstroem conceitos, permitindo melhor envolvimento na transformação dos estigmas da saúde mental.


Quando trabalhamos conjuntamente o debate se enriquece. Novas visões sobre um mesmo tópico colaboram para a construção do conhecimento de forma integrada e participativa. Esta especialidade da saúde exige a transformação do olhar sobre os indivíduos não mais como componentes de uma grande massa homogênea, mas como seres múltiplos com individualidades e distinções. Para que esse novo olhar clareie, se faz também necessário modificar os padrões de normalidade, anular estigmas e começar a incluir as diferenças.


E você, como pode fazer parte dessa mudança?