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Sair da caverna para ampliar perspectivas


Já ouviu falar do Mito da Caverna?


Platão traçou essa metáfora em que indivíduos passam uma vida toda presos dentro de uma caverna, com uma única perspectiva sobre a vida fora dela, através de imagens projetadas por sombras refletidas numa única parede. Ao ser libertado, um prisioneiro descobre que existe um grande universo de possibilidades, uma realidade mais ampla e complexa do que ele era capaz de imaginar.


Assim é o universo da saúde mental, um imenso desconhecido a ser explorado. Porém não é tão fácil sair da caverna para desbravar os mistérios da mente. A mente se materializa e acontece dentro de um corpo. Logo, corpo e mente devem ser vistos de forma conjunta, assim como um indivíduo deve ser considerado como parte integrante de uma comunidade.



Existem muitas maneiras de enxergar o funcionamento da mente e do corpo, de formas distintas.Há poucas décadas, nos primórdios das pesquisas sobre saúde mental, os profissionais seguiam uma única linha de estudo, como se olhassem apenas para uma parede da caverna. Hoje, cada abordagem é uma subdivisão do conhecimento que tem uma perspectiva e um olhar diferente para um mesmo aspecto.


Os referenciais teóricos e metodológicos de atuação e orientação às ações no campo da saúde mental distribuem-se em diferentes abordagens.


Quando a base é a ciência médica temos a abordagem biomédica, a qual faz uso de exames clínicos e fármacos, por exemplo.


Na abordagem comportamental observa-se a cultura, os hábitos e os processos de aprendizagem a fim de traduzi-los em sentimentos e pensamentos.


Abordagens mais coletivas, como a psicossocial e a epidemiológica, têm enfoque social de planejamento e avaliação de saúde.


Também no enfoque coletivo, esbarramos na importância de olhar para a história e reforçar a necessidade de direitos humanos fundamentais, que é outra importante abordagem. Não podemos deixar de pensar nas desigualdades que permeiam nossa sociedade e retomar a importância da conexão do corpo físico com a mente. Quantas pessoas não têm acesso à nutrição, hidratação, descanso, lazer, higiene ou têm desabilidades psicossociais? Sem o básico de direito, elas tão pouco terão suporte para saúde mental.


Existem muitos jeitos de olhar para uma mesma história ou um problema. Embora o acesso ao conhecimento sobre saúde mental hoje seja raso, perto da complexidade e profundidade das possibilidades que a mente alcança, temos diversas ferramentas de trabalho, uma variedade de abordagens de estudos e cuidado. A somatória delas permite um olhar amplo e com combinações para interpretação e diagnóstico. Estarmos abertos a novos conhecimentos e abordagens, é mais um dos grandes passos em direção ao universo desconhecido da mente.

A condução da saúde mental deve caminhar no sentido de sair da caverna. É necessário promover uma condição de integração de abordagens, de intersecção entre elementos como sinais do corpo físico, sentimentos e pensamentos traduzidos em palavras.