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Sala de Imprensa

Iniciativa da Casa de Marias e do Instituto Cactus tem como objetivo realizar o acolhimento de mulheres negras, indígenas e/ou periféricas em situação de vulnerabilidade, chamar a atenção para a demanda urgente de se olhar a saúde mental de mulheres e para possibilitar novas práticas de cuidado em saúde mental Para contribuir com o movimento de transformação do cenário da saúde mental do país, nós, do Instituto Cactus, estamos apoiando financeiramente um projeto de atendimento psicológico para mulheres negras, indígenas e/ou periféricas de todo Brasil através da Casa de Marias, organização de escuta e acolhimento. De agosto a janeiro de 2022, a equipe da Casa de Marias vai acolher, de forma completamente gratuita, até 288 mulheres maiores de 18 anos nos serviços de atendimento psicológico por meio de canais e/ou ferramentas adequadas para cada mulher atendida. O público alvo do projeto são mulheres negras, indígenas e/ou periféricas de todo o Brasil e será conduzido pelas profissionais da Casa de Marias, coordenada por um grupo de mulheres negras que atuam com olhar especial para as questões que envolvem classe, gênero, raça e território nas práticas de cuidado oferecidas. As vagas são ofertadas em duas modalidades: os grupos de acolhimento emergenciais e os plantões de emergência, sendo disponibilizadas 40 vagas por mês nos grupos de acolhimento emergenciais abertos, com 1 encontro semanal com 10 vagas por semana, e até 8 vagas por mês de plantão psicológico ou triagem emergencial, realizando de 1 a 2 atendimentos por semana. A primeira modalidade, o plantão psicológico para mulheres em situação de vulnerabilidade, é importante para acolher e compreender demandas pontuais e emergenciais. O plantão, nessa estruturação de serviço, funcionará como uma porta de entrada para outras modalidades de atendimento, com encaminhamentos para o trabalho terapêutico individual ou de grupo, quando necessário. Já os grupos abertos de acolhimento emergencial, a segunda modalidade do projeto, uma equipe de três profissionais (duas psicoterapeutas e uma supervisora) irá conduzir um grupo rotativo de acolhimento, com frequência semanal, com no máximo dez participantes. Este grupo será constantemente aberto e poderia acolher diversos perfis diferentes de pacientes, e permite maior flexibilidade de adesão e continuidade por parte das mulheres atendidas. A pandemia da Covid-19 afetou de forma mais significativa as mulheres, principalmente pela alta sobrecarga doméstica enfrentada, já que, muitas vezes, as mulheres têm que trabalhar de casa e se responsabilizar pelos filhos e pelas demandas domésticas. A situação de confinamento também agravou as violências sofridas pelas mulheres dentro de casa, com agressor e agredido tendo que dividir o mesmo ambiente, e uma diminuição das redes de apoio neste momento de pandemia. Para enfrentar esse contexto, não podemos lançar mão de estratégias gerais de cuidado, que não levem em conta as especificidades dessas mulheres, precisamos de olhares específicos e abordagens adequadas para criar soluções que dialoguem com os atravessamentos da saúde mental de cada público. O acolhimento das mulheres com questões de saúde mental é uma demanda antiga e requer um olhar ampliado para questões físicas, psicológicas e sociais relacionadas ao gênero. Transtornos alimentares, transtornos mentais associados à gestação, ao aborto, ao puerpério e à menopausa, inclusive como sequelas de violência médica e obstétrica, por exemplo, são adoecimentos que são diretamente atravessados pelo recorte de gênero. Ou seja, os papéis sociais atribuídos às mulheres são fatores determinantes para a prevalência de sofrimentos psíquicos neste público, por isso precisamos acolher mulheres com olhares específicos. Por isso, fizemos um mapeamento de diversas instituições no município de São Paulo com atuação focada em mulheres e, a partir de pesquisas e conversas para entender melhor as estratégias de cada um, decidimos estabelecer uma parceria com a Casa de Marias devido a sua experiência em acolhimento de mulheres em situação de vulnerabilidade. Também valorizamos a possibilidade de oferecer modalidades de escuta inovadoras para o momento emergencial para expandir as oportunidades de cuidado, acolhimento e escuta das mulheres, em formatos diferentes dos que são oferecidos tradicionalmente e, frequentemente, a custos inacessíveis. INSCRIÇÕES Para se inscrever no plantão psicológico entre em contato através do Whatsapp para fazer a inscrição, e verifique a disponibilidade para atendimento em até 24h. As vagas são abertas de acordo com a disponibilidade de agendamento. Para se inscrever no grupo de acolhimento emergencial aberto entre em contato através do mesmo canal e verifique a disponibilidade de vagas para o próximo encontro, no dia 1 de agosto. As vagas para o grupo reabrem toda segunda-feira e permanecem abertas até uma hora antes do encontro, na quarta-feira. SOBRE A CASA DE MARIAS A Casa de Marias é um espaço de escuta e acolhimento. Lugar pensado em cada detalhe para receber pessoas que, por qualquer motivo, precisam de cuidado psicológico. A equipe é composta por profissionais de diversas abordagens teóricas e que oferecem serviços de psicoterapia individual, psicoterapia grupal, terapia para casais e famílias, cuidado psicológico voltado para crianças, adolescentes, adultos e idosos, oficinas temáticas, grupos terapêuticos, cursos de formação, grupo de estudos, supervisão clínica individual e grupal, consultorias, rodas de conversa, etc. O projeto é coordenado por quatro psicólogas. O grupo de acolhimento emergencial será liderado pela psicóloga Camila Generoso (CRP 06/82630). Psicóloga e psicopedagoga, possui especialização em Desenvolvimento Infantil e aprimoramento em Psicanálise da Criança pela PUC-SP; e pela psicóloga Deisy Pessoa (CRP 06/157161), graduada em Psicologia com ênfase Clínica e Saúde Pública, com atuação na Atenção Psicossocial, trabalhando com a comunidade local do Capão Redondo em ações de inclusão de diversidades nas atividades artísticas terapêuticas oferecidas pelo CECCO. O plantão psicológico é liderado pela psicóloga Eneida de Paula (CRP 06/135390), psicóloga formada pela FMU, com especialização em Psicologia e Relações Raciais – Instituto AMMA Psique e Negritude e em Técnica de Estresse Pós-Traumático segundo Modelo Francine Shapiro – EMDR; e pela psicóloga Lucila Xavier (CRP 06/141984), psicóloga formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, com experiência de 5 anos como Acompanhante Terapêutica de crianças e adolescentes com TEA e estágios nas áreas de psicologia jurídica e clínica. Atualmente em formação no curso teórico vivencial de Psicologia e Relações Raciais do Instituto AMMA.

Com processos segmentados e abordagens específicas para cada público estamos promovendo a cultura de promoção e prevenção em saúde mental Muito tem se falado sobre saúde mental devido aos enormes impactos da pandemia na vida de todos nós. Por maiores que sejam as consequências do isolamento social, para avançar no caminho de soluções para esse adoecimento é necessário reconhecer que esse problema não é, exclusivamente, um efeito da pandemia. Nossa sociedade já demonstrava de sofrimentos psicológicos há muito tempo. Mas, mesmo que o sofrimento seja igual a todas as pessoas, os impactos são diferentes porque quando falamos em saúde mental é preciso considerar os determinantes sociais que atravessam o tema, como acesso à educação, moradia, alimentação, trabalho, transporte, cultura, etc. Atualmente, com a crise sanitária já são mais de 14 milhões de pessoas desempregadas no Brasil e só nos primeiros meses de pandemia, mais da metade desse número eram mulheres. Ao mesmo tempo que mais da metade da população declara que a saúde mental piorou um pouco ou muito no último ano. Nesse cenário, as minorias sociais são particularmente afetadas: mulheres vítimas de violência doméstica, crianças e adolescentes negligenciados, LGBTQIA+ vítimas de homofobia, pessoas negras vítimas de racismo são alguns exemplos de grupos que se tornam mais suscetíveis ao adoecimento mental devido a questões estruturais da nossa sociedade. Por isso é necessário ter olhares segmentados para a saúde mental e priorizar alguns grupos que merecem atenção e cuidado de forma emergencial. Não podemos pensar soluções únicas, que tratem da mesma forma sofrimentos que têm atravessamentos diferentes, precisamos criar processos adequados e propor abordagens específicas para cada público para promover a cultura de promoção e prevenção em saúde mental. Para pessoas em situação de vulnerabilidade, sabemos que se vincular ao processo psicoterapêutico pode ser um desafio, assim apostamos em modalidades que viabilizem o acesso a esses serviços. A crise provocada pela pandemia de Covid-19 agravou muito esse cenário. Com a perda da renda e o aumento da desigualdade de renda e de acesso a serviços, os efeitos da crise socioeconômica na saúde mental são ainda piores para as pessoas em situação de vulnerabilidade. Com o isolamento social, a disparidade de gênero, a violência doméstica e a sobrecarga das mulheres aumentaram ao mesmo tempo em que as redes de suporte diminuíram, uma vez que muitas vítimas ficaram confinadas com seus agressores sem possibilidade de ajuda externa. Todos esses fatores favorecem a prevalência de doenças mentais nas mulheres, por isso precisamos cuidar desse público com ainda mais urgência. O investimento brasileiro em pesquisas e serviços no campo da saúde mental ainda é muito tímido quando comparado a outras áreas do conhecimento. Segundo dados do levantamento Caminhos em Saúde Mental, que lançamos em junho em parceria com o Instituto Veredas, no período de 2002 a 2020 foram financiados 6.461 projetos de pesquisa em saúde, totalizando um investimento de R$1,4 bilhão. Já para a saúde mental, especificamente, no mesmo período houve o financiamento de apenas 249 projetos com R$27 milhões, apenas 1,87% do total investido. Mesmo que a saúde mental represente cerca de um terço da carga global de doenças, os investimentos em pesquisa corresponderam somente a 1,9% do valor total investido em saúde. Como viemos alertando, em termos de investimento social privado, apenas 4% do total de R$2,5 bilhões de investimento social privado no Brasil em 2019 foram destinados à saúde e esporte, bastante abaixo do que seria necessário para intervenções estruturais no campo. Atendimento psicológico para mulheres em situação de vulnerabilidade Para avançar no caminho de investir em projetos e redes de serviços comunitários que viabilizam o acesso de mais pessoas aos atendimentos de saúde mental, propósito que para nós, do Instituto Cactus, pode transformar o cenário da saúde mental do país, estamos financiando um projeto de atendimento psicológico de urgência e emergência para mulheres em parceria com a Casa de Marias, organização de escuta e acolhimento. De agosto a janeiro do ano que vem, 288 mulheres poderão se beneficiar do cuidado, acolhimento, escuta e atendimento psicológico* de uma equipe especializada e de forma completamente gratuita, por duas modalidades principais, o plantão psicológico individual e o grupo de acolhimento emergencial, modalidade ainda pouco explorada como ferramenta de acolhimento para estes contextos. O público alvo do projeto são mulheres negras, indígenas e periféricas de todo o Brasil e o atendimento acontecerá de forma remota, por meio de canais e/ou ferramentas adequadas para cada mulher atendida. Sabemos que focar nesse grupo não é um recorte exaustivo, mas compreendemos que elas têm um enorme potencial de transformação social e também como promotoras da saúde mental em seus trabalhos, núcleos familiares e comunidades, tornando-se multiplicadoras dessa causa. Nossa expectativa com esse projeto é chamar a atenção para a necessidade de se pensar em projetos de saúde mental desse público, realizar o acolhimento de mulheres em situação de vulnerabilidade e, ainda, gerar insumos para validar o quanto este tipo de escuta emergencial, principalmente a feita em grupos de apoio em um formato inovador, como uma modalidade que pode ser institucionalizada e replicada em contextos de urgência. A avaliação será feita, principalmente, levando em conta a vasta experiência da Casa de Marias com o acolhimento de mulheres em diferentes modalidades, o que nos permitirá avaliar especificamente os formatos oferecidos em comparação com outros e elaborar uma recomendação de implementação sistematizada para esse tipo de atendimento, seja dentro ou fora de políticas públicas. >> Inscreva-se até 1 de agosto: https://casademarias.com/grupo-de-acolhimento-emergencial-aberto/ https://casademarias.com/plantao-psicologico-para-mulheres/ * O projeto é coordenado por quatro psicólogas. O grupo de acolhimento emergencial será liderado pela psicóloga Camila Generoso (CRP 06/82630). Psicóloga e psicopedagoga, possui especialização em Desenvolvimento Infantil e aprimoramento em Psicanálise da Criança pela PUC-SP; e pela psicóloga Deisy Pessoa (CRP 06/157161), graduada em Psicologia com ênfase Clínica e Saúde Pública, com atuação na Atenção Psicossocial, trabalhando com a comunidade local do Capão Redondo em ações de inclusão de diversidades nas atividades artísticas terapêuticas oferecidas pelo CECCO. O plantão psicológico é liderado pela psicóloga Eneida de Paula (CRP 06/135390), psicóloga formada pela FMU, com especialização em Psicologia e Relações Raciais – Instituto AMMA Psique e Negritude e em Técnica de Estresse Pós-Traumático segundo Modelo Francine Shapiro – EMDR; e pela psicóloga Lucila Xavier (CRP 06/141984), psicóloga formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, com experiência de 5 anos como Acompanhante Terapêutica de crianças e adolescentes com TEA e estágios nas áreas de psicologia jurídica e clínica. Atualmente em formação no curso teórico vivencial de Psicologia e Relações Raciais do Instituto AMMA.

Em março de 2020 fomos surpreendidos por uma pandemia, um acontecimento que mudou a vida de todos, subitamente. Depois de um ano, continuamos vivendo este cenário de dúvidas e sentimentos intensos. E o que levaremos de aprendizado deste período? Seguramente reafirmamos o poder de alcance da internet. Enquanto aguardamos a normalização das atividades, as vias digitais viabilizam conexões com o mundo fora de casa. Também nos vimos diante de uma enxurrada de informações, tendo a OMS inclusive declarado que o surto de Covid-19 vem acompanhado da INFODEMIA, ou seja, do excesso de informações que geram rumores e desinformação, pois muita notícia é incorreta e equivocada (as chamadas fake news) o que pode vir carregado de incertezas e angústias. E como isso se relaciona com nossa saúde mental? Por essas, e tantas outras questões, a saúde mental ganhou destaque no último ano. Todas mudanças no estilo de vida, somadas às perdas dos mais diversos tipos (de entes queridos, financeiras, de emprego), à alta carga de notícias, de teor angustiante e triste, afetam todo o nosso estado mental. Fica difícil administrar as atividades diárias e as angústias quando o volume de informações é muito intenso. A infodemia é particularmente prejudicial no cenário de isolamento, pois agrava os sentimentos de ansiedade, medo, preocupação e também de luto. A desinformação altera o comportamento saudável da população, elevando riscos. Enquanto não houver uma preocupação com a qualidade da informação circulante, com a proteção coletiva e com o comprometimento dos novos hábitos, não haverá progresso no combate ao vírus, tanto quanto no cuidado com a nossa saúde mental. O que podemos fazer? Uma estratégia de cuidado é reduzir a quantidade de informação que recebemos e selecionar as fontes de busca: 1) Busque informações nos meios oficiais de comunicação; 2) Antes de compartilhar notícias novas, valide a informação; 3) É verídica e de fonte confiável? Repasse, ensine, eduque. Em uma reflexão sobre a rede social Clubhouse, aprofundamos a discussão sobre o uso protetivo de redes sociais, de forma geral. Outra estratégia é levar aprendizados, principalmente a importância do olhar atento para nós mesmos e para o outro. A capacidade de auto observação e de autoconhecimento, se faz fundamental para entender o que precisamos e como trabalhar nossos sentimentos, assim como a capacidade de escuta e de olhar com empatia para o próximo - e para nós mesmos. Estes valores e habilidades precisam persistir, para que a nossa saúde mental também possa florescer.* Fica, então, a reflexão sobre o que aprendemos com relação à nossa saúde mental, em meio a essa pandemia e tantos momentos de incerteza. Será que continuaremos a valorizar essa temática, como tão central e prioritária nas nossas vidas? Será que agora sabemos o quanto olhar para a nossa saúde mental precede tantas outras questões e nos ajuda, inclusive, a lidar com inúmeras das nossas adversidades? Será que sabemos o que é a saúde mental? O que isso significa para nós, e para o mundo? Como eu posso trabalhar isso dentro e fora de casa? A informação é nossa maior aliada, tanto em relação à pandemia de covid-19, quanto à saúde mental. É fundamental que a discussão continue, que mais pessoas possam se perceber, ter informações e conhecimento como aliados nesse processo, olhar preventivamente para a sua saúde mental, saber onde procurar ajuda, quando necessário, e falar mais abertamente sobre o tema. Enquanto ainda passamos por esse momento turbulento de incertezas e pandemia, devemos nos proteger, de forma integral, ao máximo. E todo mundo tem a missão de dar suporte à ciência e compartilhar informações verídicas. Proteção e informação são imprescindíveis! *Lembrando que buscar a saúde mental individual é muito importante, porém existe uma preocupação comunitária em poupar vidas, e que, por isso, nossos desejos pessoais e liberdades individuais não podem ultrapassar o bem estar social e por em risco a manutenção da vida. Que tal encontrar outras formas de cuidar da sua saúde mental sem aglomerar?

Mudam as paisagens, os cenários, os endereços, mas em qualquer lugar do planeta somos todos seres humanos com sentimentos, dores, pensamentos, alegrias e aflições. Homens e mulheres, pobres ou ricos, adultos ou crianças, estão sujeitos a sofrer e desenvolver quadros ligados a saúde mental. De acordo com uma pesquisa da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE), entre 40 e 50% das pessoas dos países membros da organização experimentará algum transtorno mental leve a moderado ao longo da vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), de 10 a 20% das crianças e adolescentes de todo o mundo sofrem de algum problema relacionado à saúde mental. Saúde mental é um assunto global, todos estamos sujeitos a precisar de suporte pois os fatores que influenciam nosso quadro emocional são inúmeros. Características biológicas, ambientais, culturais e econômicas têm influência e relevância na análise de cada caso. Até circunstâncias menos graves como as baixas temperaturas e o pouco sol, em locais com inverno muito rigoroso, diminuem a vitamina D e a melatonina (um hormônio regulatório) e podem gerar indisposição e influenciar quadros depressivos. Fatores como pobreza, desemprego, doenças físicas ou perda de entes queridos são também críticos. Igualmente tão preocupante se fazem as violações de direitos como violência, abuso e descriminação. Como reflexo da ausência de cuidado à saúde mental, há comprometimento no desenvolvimento e na educação das crianças e adolescentes, com a possibilidade de extensão dos quadros na vida adulta, quando não tratados de forma correta. Por isso é tão importante a prevenção! Sem ela, podem surgir dificuldades na convivência e manutenção da estrutura e harmonia da família, do trabalho e das relações estabelecidas com a sociedade. Além das dificuldades pessoais de cada um que convive com a saúde mental debilitada, existem reflexos que permeiam até a economia, com valores na casa dos trilhões em perdas mundiais. Imagem: Gordon Johnson No atual cenário de pandemia, com a necessidade de distanciamento e isolamento social, toda a população mundial convive com sentimentos como tristeza, solidão, medo e luto. Pelo estudo, o registro de doenças e desequilíbrios mentais são ainda muito recentes na história da medicina e da saúde pública, tendo a saúde mental uma baixa prioridade nas agendas da maioria dos países. A esse problema, soma-se a falta de profissionais capacitados para detectar e diagnosticar pacientes de forma correta. Vale lembrar que é humano se sentir só, sentir dor, precisar de cuidados. Estamos vivendo um momento intenso, de muitas emoções e pode ser difícil lidar com os sentimentos que aparecem. Se permita o sentir, o ser e o estar. Mas não deixe nunca de procurar ajuda profissional e suporte das pessoas próximas quando reconhecer a existência de qualquer problema.

A discussão sobre o Clubhouse, e sobre redes sociais de forma geral, toca profundamente o tema da saúde mental, já que o ambiente virtual é, cada vez mais, um dos ambientes mais relevantes para trocas de ideias e experiências, expressão de sentimentos, e até mesmo de definição de identidade. Já parou para pensar quanto tempo você tem passado nas redes? Achamos importante trazer este tema para discussão. Como sempre, gostamos de defender a informação e a reflexão sobre temas tão essenciais, para nos dar a capacidade de refletir sobre nossas escolhas e decisões. Vale dizer que aqui, não queremos banir ou restringir o uso das redes sociais e nem do Clubhouse. O intuito é olhar para o tema sob a ótica de “fator de proteção”, ou seja, entender de que forma podemos fazer disso um aliado, já que faz parte da nossa vida. O que é Clubhouse, exatamente? E o que isso tem a ver com a saúde da minha mente? O Clubhouse é uma nova rede social, na qual os usuários podem entrar exclusivamente via convite de quem já faz parte da plataforma. As conversas e trocas se dão em torno de temas de interesse, com mais aprofundamento das discussões ao se trocar mensagens via áudio, e não escrita. Outra característica da rede é que as conversas são imediatamente apagadas após a interação, em uma tentativa de simular a vida real, em que, de fato, nossas trocas presenciais não ficam registradas. A nosso ver, toda a movimentação e atenção que vem sendo dada ao Clubhouse pode ser também um reflexo do quanto nossa sociedade está buscando um espaço mais profundo de fala e escuta, para além de posts superficiais que não necessariamente geram engajamentos e discussões profundas sobre temas. As trocas, no caso da Clubhouse, aconteceriam de forma mais fluída, e com menos ruídos de comunicação. Este movimento pode refletir também, uma vontade da sociedade de ter um espaço para trocas que seja mais fiel ao da vida real, com menos “filtros”, mais profundidade e tempo de escuta. Por esses e outros motivos, a experiência desta e outras redes sociais pode, sim, ser positiva do ponto de vista de gerar conexão, permitir trocas e escuta ativa, e criar comunidades de apoio. No entanto, temos que tomar cuidado sobre alguns pontos. Há ainda um desafio enorme dessa rede conseguir efetivamente gerar pertencimento, inclusão e acolhimento. De um lado, por nascer ainda exclusiva, em que só podem fazer parte aqueles que têm convite, deixamos de lado muitas vozes e pessoas que deveriam fazer parte de trocas relevantes, além de podermos nos sentir menos pertencentes e mais ansiosos por não termos recebido “o tal convite” . Outro ponto sobre inclusão, é o fato da interação acontecer via áudios, o que acaba excluindo parte importante da população, como aqueles com deficiência auditiva, por exemplo. Como a rede hoje ainda não tem regras claras para a moderação de conteúdo, corre-se o risco de se tornar mais um espaço para discursos de ódio e outros tipos de abuso. Por fim, por mais que tenhamos avançado nas tecnologias de inteligência artificial, aplicativos de rede social ainda pecam ao tentar se assemelhar à vida real, com seus altos e baixos, prazeres e sofrimentos. Quando nos focarmos demais no viver “online”, podemos nos desconectar da nossa experiência humana que nos leva a um crescimento e desevolvimento. Essas são apenas algumas das nossa considerações sobre a Clubhouse. A nossa provocação é a de refletirmos sobre o que estamos intencionalmente nos propondo a fazer com o uso dessa e de outras redes sociais e qual a forma de engajamento que nos trará mais bem-estar e nos permitirá trazer mais pessoas conosco. E você, já parou para pensar em como se engaja nas redes sociais e como faria (ou está fazendo) isso na Clubhouse, se pudesse parar para pensar?

Dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Dia emblemático para abordarmos a saúde mental com esse recorte necessário. Hora de arregaçar as mangas e abraçar a causa da saúde mental da mulher. Tema tão falado nesse 2020 turbulento e, em 2021, é chegada a hora de nomeá-lo de fato. Uma enxurrada de notícias constatando que durante a pandemia a mulher foi mais afetada. Acúmulo de papéis, de trabalho, família, empregos formais e informais não sustentáveis. E por que a questão de gênero? E o que isso quer dizer? A OMS define gênero como “a diferença, que homens e mulheres têm sobre o poder e controle das determinantes sócio-econômicas em suas vidas, posição social e forma de tratamento na sociedade”. Ou seja, dado o olhar diferente que a sociedade dá ao homem e à mulher, são também diferentes, as suscetibilidades e exposições a riscos específicos de cada um no contexto da saúde mental, por conta de diferentes processos biológicos, relações sociais e papeis de gênero. Como se não bastasse, o viés de diagnóstico dado a cada um deles também é tendencioso. Alguns dados que evidenciam isso, são os de que a depressão, um dos transtornos mentais mais comuns da nossa sociedade, afeta 2 vezes mais a mulher do que o homem. As tentativas de suicídio, por sua vez, são 2.2x mais frequentes nas mulheres. E quando se trata de papeis sociais, tem-se que 1 a cada 5 mulheres apresentam transtornos mentais comuns (TMC) ao passo que esse número é de 1 a cada 2 mulheres para aquelas com alta sobrecarga doméstica. Isso sem mencionar as inúmeras sequelas na saúde mental causadas às vítimas de violência, seja psicológica, física, sexual ou institucional, resultado de práticas sociais que não tratam os genêros com um olhar de equidade. Estes dados nos revelam que um olhar diferenciado para a saúde mental da mulher se faz necessário para além do foco em quadros de origem biológica como a gestação, aborto, puerpério e menopausa. Infelizmente lidamos com uma subnotificação dos casos no país. Ainda mais se pensarmos no contexto psicossocial atual. No que tange à saúde mental, a efetividade do tratamento individual, terapêutico e/ou medicamentoso, institucional ou não, deve ser pautado no contexto social no qual a mulher está inserida, o papel de gênero que ela desempenha e o quanto a sociedade contribui à sua saúde. É importante e urgente falarmos desse assunto. Não há transformação social sem as mulheres, que são verdadeiros vetores de mudança para a sociedade, como líderes dessa e das próximas gerações, educadoras (com 80% do contigente de professores da educação básica sendo mulheres), profissionais da saúde (representando 65% dos profissionais da saúde pública e privada), mães e figuras presentes em tantas outras esferas sociais. É preciso nomear, definir, significar e discutir cada vez mais o assunto para que a saúde mental possa ser tratada como uma questão que permeia o nosso universo o tempo todo e não como uma condição à parte. Por Livia Miranda, em colaboração com o Instituto Cactus

Já ouviu falar do Mito da Caverna? Platão traçou essa metáfora em que indivíduos passam uma vida toda presos dentro de uma caverna, com uma única perspectiva sobre a vida fora dela, através de imagens projetadas por sombras refletidas numa única parede. Ao ser libertado, um prisioneiro descobre que existe um grande universo de possibilidades, uma realidade mais ampla e complexa do que ele era capaz de imaginar. Assim é o universo da saúde mental, um imenso desconhecido a ser explorado. Porém não é tão fácil sair da caverna para desbravar os mistérios da mente. A mente se materializa e acontece dentro de um corpo. Logo, corpo e mente devem ser vistos de forma conjunta, assim como um indivíduo deve ser considerado como parte integrante de uma comunidade. Existem muitas maneiras de enxergar o funcionamento da mente e do corpo, de formas distintas.Há poucas décadas, nos primórdios das pesquisas sobre saúde mental, os profissionais seguiam uma única linha de estudo, como se olhassem apenas para uma parede da caverna. Hoje, cada abordagem é uma subdivisão do conhecimento que tem uma perspectiva e um olhar diferente para um mesmo aspecto. Os referenciais teóricos e metodológicos de atuação e orientação às ações no campo da saúde mental distribuem-se em diferentes abordagens. Quando a base é a ciência médica temos a abordagem biomédica, a qual faz uso de exames clínicos e fármacos, por exemplo. Na abordagem comportamental observa-se a cultura, os hábitos e os processos de aprendizagem a fim de traduzi-los em sentimentos e pensamentos. Abordagens mais coletivas, como a psicossocial e a epidemiológica, têm enfoque social de planejamento e avaliação de saúde. Também no enfoque coletivo, esbarramos na importância de olhar para a história e reforçar a necessidade de direitos humanos fundamentais, que é outra importante abordagem. Não podemos deixar de pensar nas desigualdades que permeiam nossa sociedade e retomar a importância da conexão do corpo físico com a mente. Quantas pessoas não têm acesso à nutrição, hidratação, descanso, lazer, higiene ou têm desabilidades psicossociais? Sem o básico de direito, elas tão pouco terão suporte para saúde mental. Existem muitos jeitos de olhar para uma mesma história ou um problema. Embora o acesso ao conhecimento sobre saúde mental hoje seja raso, perto da complexidade e profundidade das possibilidades que a mente alcança, temos diversas ferramentas de trabalho, uma variedade de abordagens de estudos e cuidado. A somatória delas permite um olhar amplo e com combinações para interpretação e diagnóstico. Estarmos abertos a novos conhecimentos e abordagens, é mais um dos grandes passos em direção ao universo desconhecido da mente. A condução da saúde mental deve caminhar no sentido de sair da caverna. É necessário promover uma condição de integração de abordagens, de intersecção entre elementos como sinais do corpo físico, sentimentos e pensamentos traduzidos em palavras.

É sabido que bons hábitos contribuem significativamente para a redução do desenvolvimento de doenças. Pode parecer um caminho mais lógico conectar a ausência de doenças ou enfermidades à saúde, mas há décadas não podemos mais fazer essa restrição, pois tanto a saúde mental como física são conceitos amplos e complexos, e incluem aspectos positivos de qualidade vida e bem-estar, e não somente o estado de não doença. Aqui no Instituto Cactus sempre batemos na tecla da grande quantidade de fatores refletindo na saúde e no bem estar. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já inclui a saúde mental como pauta desde 1946, entendendo que tanto emoções quanto o uso de substâncias químicas, alimentação, relações familiares e de trabalho e habilidades psicossociais implicam em variações nos sentimentos, no grau de felicidade, na construção de uma perspectiva de vida. Justamente por tantas influências, falar sobre saúde mental hoje é fazer extensas análises sobre indivíduos e as comunidades onde estão inseridos. A análise clínica de um paciente não pode ser a única ferramenta de avaliação, ela deve ser associada à sua história de vida, ao ambiente físico que frequenta, à religião que pratica, à estrutura familiar, à cultura local e ao momento histórico. Com um trabalho amplo de associação de fundamentos médicos e farmacêuticos, psicológicos, epidemiológicos e até espirituais, os resultados são potencializados. A combinação, no campo da investigação social, é imprescindível, quando é necessário estabelecer importantes recortes com grupos focais: crianças, mulheres, migrantes e outros grupos em vulnerabilidade, como medida de objetividade em ações coletivas. A combinação de conhecimentos compõe descobertas e gera constantes mudanças nos conceitos de saúde mental, os quais são influenciados pelas atualizações e avanços na ciência e nas políticas públicas nacionais e internacionais. Grandes organizações, por exemplo OMS, Unesco e Unicef, atuam para coletar, compilar, organizar e disseminar informações e atualizações. Essas instituições estudam, discutem e traçam metas e tratados para orientar Estados e Nações sobre recursos de saúde mental - como políticas, assistência, recursos humanos e sistemas de informação no mundo. A OMS tem como objetivo o alcance do maior nível de saúde por todas as pessoas do mundo. Embora os conceitos e conhecimentos estejam em constante transformação, temos uma definição de saúde que traz essa visão global: saúde é o estado de completo bem estar físico, mental e social, e possibilidade de materializar habilidades e lidar com o estresse da vida normal. Como vai a sua saúde? Como podemos ser mais saudáveis e transpor essa saúde para nossas comunidades? E como fazer parte desse movimento global?

Fonte: Big Brother Brasil Vamos aproveitar este momento do que aconteceu nos últimos dias no BBB 2021, com a saída de Lucas, para fazer um convite a uma reflexão: o que podemos aprender com este episódio e, mais especificamente, quando adotamos uma posição de não julgamento? Uma observação dos sentimentos que afloram ao testemunhar episódios como os do BBB, e sua repercussão, e que incluem, muitas vezes, nossa rapidez em dar rótulos e achar respostas, vilões e culpados, são também uma grande oportunidade para olharmos para nós mesmos e desenvolvermos nossa auto-consciência. A habilidade de conseguir parar e se observar é parte importante desse processo e aumenta nosso protagonismo para com a nossa própria saúde mental. Alguns passos para isso incluem a observação para entender e nomear que sentimentos surgiram, que emoções percebemos, e inclusive, onde tudo isso se manifesta no nosso corpo. Algumas perguntas que podem ajudar a nos guiar nesse processo são: o que eu estou sentindo? Qual é a intensidade desse sentimento? Onde, no meu corpo, eu sinto isso se manifestar? Por que será que eu estou sentindo isso? Em que outros momentos eu me senti assim? É extremamente importante podermos dar esse passo anterior, esse respiro, esse momento de pausa, como forma de cuidar da nossa própria saúde mental, de não julgarmos precipitadamente e corrermos o risco de eventualmente sermos agentes deste mesmo tipo de violência psicológica. Cada pessoa tem sua jornada de vida, dores, e escolhas, e é importante darmos a oportunidade de ouvir todos os lados, com profundidade, antes de nos posicionarmos sobre algum assunto. O julgamento imediato também nos impede de aprendermos mais sobre nós e sobre os outros. A partir do momento em que julgamos já temos uma resposta pronta e, consequentemente, estamos mais fechados a ouvir o próximo e a nos darmos a chance de nos engrandecer com pontos de vista diferentes. Essa polarização também não é a melhor forma de combater o abuso psicológico, pois corremos o risco de segregar o outro e de perdermos a capacidade de escuta e de empatia. É claro que, ao fim desse processo, poderemos ainda assim identificar ações e gestos que foram mais ou menos empáticos por parte dos outros e, inclusive, por nós mesmos. Podemos também ter a nossa opinião, e discordar de outras opiniões. O que importa mais é o processo que usamos para isso, ou seja, dando lugar para a escuta, a igualdade, e a empatia – para conosco e para com o próximo. Uma frase que gostamos muito no Instituto Cactus é a do Viktor Frankl, que diz: “Entre o estímulo e a reação há um espaço. Neste espaço está nosso poder de escolher nossa resposta. Na nossa resposta está nosso crescimento e nossa liberdade.” Aproveitando momentos como esses, em que muitas emoções e pensamentos surgem com grande senso de urgência de manifestação, é que nasce a oportunidade de fazermos uma pausa, nos observamos, e aprendermos a nos conhecer, e a olhar ao outro e a nós mesmos com mais empatia.

Imagem de Gert Altmann Entendemos melhor o mundo em que vivemos quando o observamos. A partir da observação, acumulamos saberes. A organização dessa produção de conhecimentos é essencial para que possam ser compartilhados, para isso foram criados conceitos, regras e padrões. Estas definições existem também no campo da saúde, para vivermos de maneira mais ordenada e harmônica em comunidade. A saúde mental é só um nicho do tema da saúde, porém é um campo extenso, complexo e muito recente na história da saúde pública. O interesse neste campo e as pesquisas na área se intensificaram após a Segunda Guerra Mundial, pois o conhecimento da época era insuficiente para suprir a demanda de saúde social tão crítica. O momento pós-guerra foi marcante na mudança dos conceitos de saúde pública na esfera dos cuidados da mente, pois deixou de ser exclusivo da psiquiatria abrindo espaço para novas áreas de atuação (por exemplo a Filosofia, História e Antropologia). Desde então, a saúde mental está em evidência e vem se transformando. A partir da década de 1970, como um grande passo, a OMS passa a defender a saúde mental como elemento integrado nos cuidados primários de saúde. Hoje três principais grupos de força dialogam e, a partir dos crescentes desafios que aparecem, iniciam debates e investigações. Para um assunto tão amplo e profundo, ainda há muito a ser discutido e descoberto. Lentamente estabelecemos novos paradigmas e rompemos com bases vistas como inadequadas ou incorretas. Os principais grupos de forças atuantes são Ciência, Estado e Sociedade. Unidos, estudam e reestruturam a saúde mental. > A ciência busca encontrar respostas e cria classificações e padrões sobre o comportamento humano. A partir do método científico, esse grupo trabalha em legitimar conhecimentos através de pesquisas. > O estado tem como obrigação criar dispositivos de cuidado e ordem social, de promover melhorias nos programas e políticas públicas sociais de cuidado das pessoas. > A Sociedade somos nós, indivíduos que usufruem dos sistemas de saúde, os objetos de estudo da ciência que estão aos cuidados do estado. Como pessoas compartilhamos das vivências e contribuímos também como avaliadores da atuação dos primeiros grupos. Imagem de Natalia Ovcharenko Juntos esses conjuntos produzem novos conhecimentos e constroem e desconstroem conceitos, permitindo melhor envolvimento na transformação dos estigmas da saúde mental. Quando trabalhamos conjuntamente o debate se enriquece. Novas visões sobre um mesmo tópico colaboram para a construção do conhecimento de forma integrada e participativa. Esta especialidade da saúde exige a transformação do olhar sobre os indivíduos não mais como componentes de uma grande massa homogênea, mas como seres múltiplos com individualidades e distinções. Para que esse novo olhar clareie, se faz também necessário modificar os padrões de normalidade, anular estigmas e começar a incluir as diferenças. E você, como pode fazer parte dessa mudança?

Somos seres diversos em vários aspectos, como somos nas múltiplas formas de comunicação. A comunicação é parte fundamental e natural da espécie humana, particularmente através do uso de palavras. Construímos um arsenal de significados, uma linguagem propriamente humana. Nossas falas são uma representação de ideias, pensamentos e desejos, por isso, somos responsáveis pela maneira como nos referimos uns aos outros e pelo efeito das palavras em quem as ouve. O uso de palavras equivocadas reforça estigmas sociais e contribui com a exclusão de pessoas. Como podemos mudar esse cenário de exclusão? Cada pessoa é única e tem seu jeito de ser. Não podemos esquecer que doenças, deficiências e condições, incluindo questões de saúde mental, não são escolhas. O respeito e a empatia presentes em discursos referentes à saúde mental são medidas que colaboram com o esforço de normalizar a multiplicidade humana e impedem que a saúde mental seja reduzida a algo desimportante. Para se referir àqueles que convivem com doenças como depressão ou TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) podemos evitar linguagens casuais, expressões depreciativas e termos redutores, como "doido" ou "é assim porque quer” ou “não se esforça". Essas mensagens podem inclusive agravar os quadros de saúde dessas pessoas. Como podemos trabalhar melhor com a linguagem a fim de incluir as diferenças? - ter empatia às diferenças; - optar por palavras e expressões que valorizem as pessoas, fugindo de expressões que limitem o indivíduo a uma única característica; - buscar conhecer mais profundamente as características de cada condição diferente da sua; - corrigir pessoas que usam termos indevidos, sugerindo o uso dos termos corretos. Sejamos diversos também nas formas de incluir as diferenças e de diminuir o estigma com que se fala de certas condições. O que você faz para ser mais empático e inclusivo?

2020 foi um ano de mudanças e desafios, com muitas novidades e adaptações. A folha do calendário virou, um novo ano se inicia e podemos pensar nesse momento como uma chance de reflexão, uma oportunidade de autoconhecimento e autocuidado. Quando um ano termina e um novo começa, fazemos uma análise do que aconteceu e das nossas perspectivas para o futuro. Olhar para o passado, enxergar as conquistas e comemorá-las pode ser um ótimo jeito de dar início a uma nova caminhada, mas nem sempre é fácil. Seja gentil consigo mesmo e tudo bem se for necessário dar uma pausa e tirar um momento para si mesmo. A saúde mental não está só no olhar positivo para tudo, mas no acolhimento de todas as emoções, sejam elas boas ou ruins. O que você deseja para esse novo ano? Começar algo novo? Dar um primeiro passo para algum projeto? Pensar no que queremos é um importante exercício de reflexão e planos podem ser bons guias para nos ajudarem a caminhar na direção desejada - desde que feitos com calma e ponderação, para que não sejam geradores adicionais de ansiedade. Trace seus objetivos, alguns deles. Perceba porque eles importam para você, o que eles poderão agregar para sua jornada. Então comece com metas possíveis, mais fáceis; identifique quais passos são necessários para alcançar as grandes e mais difíceis realizações. Lembre-se: a linha de chegada é feita de pequenos passos, e é importante saber cultivar a jornada e celebrar as pequenas vitórias. Ainda estamos vivendo um momento desafiador de pandemia, muitos sonhos e objetivos terão que esperar um pouco para se tornarem realidade, mas fortalecer o nosso autocuidado, saber ter auto-compaixão e desenvolver resiliência são importantes ferramentas para mantermos a saúde da nossa mente, aprendermos a lidar com as adversidades da vida e aumentarmos nosso bem-estar. Algumas práticas podem colaborar com uma vida mais leve e uma saúde equilibrada para viver e celebrar o ano que chega com mais plenitude: cultivar os relacionamentos, se permitir momentos de presença, fazer mais coisas que lhe dão prazer, ajudar o próximo, se conectar mais com seus pensamentos, emoções e com a nossa natureza humana, e saber apreciar a alegria, mas também a dor. Vamos olhar para o ano que acabou com carinho, compaixão e gratidão onde couber, e pensar no que queremos para o futuro. Como podemos fazer o nosso mundo de dentro melhor, através de nossas práticas e escolhas?